Tendo por base os textos litúrgicos de então, o Requiem constitui a última obra musical de Mozart, que apenas conseguiu completar o Intróito (Requiem aeternam) e o Kyrie. Da Sequência, somente os primeiros oito compassos do Lacrimosa são da autoria de Mozart, e constituem os seus derradeiros escritos musicais. O presidente da Celebração Eucarística, padre António Martins, procurou sublinhar a estreita relação entre o Requiem de Mozart e a Palavra de Deus da liturgia do I domingo do Advento, marcada pela esperança: “Quando se espera, espera-se sempre qualquer coisa de grande. Sublinho, a este propósito, o Requiem de Mozart que escutamos durante esta celebração, e de modo particular o dies irae, que à partida poderia assustar com o estremecimento que provoca, mas não! Se bem o escutamos, por detrás esconde-se toda a glória de Deus, desejada pelo homem que o procura e que, na hora da morte, parte para o seu encontro”. O Requiem não é uma obra musical para ser exclusivamente executada em celebrações de fiéis defuntos. Afirmou ainda o presidente da Eucaristia: “Esta composição tem as características que encontramos na liturgia de hoje: é sombria e ao mesmo tempo luminosa, triunfal e majestosa mas também uma humilde e sentimental oração; apresenta-nos a ideia de um Deus juiz mas também misericordioso. Emociona o Kyrie, com as suas descidas e subidas, quase como se chegássemos ao cume de uma montanha. A morte que Mozart nos apresenta, é também amiga e irmã”. Estas celebrações dos 250 anos do nascimento de Mozart são uma organização conjunta da Câmara Municipal de Loulé e da Orquestra do Algarve, às quais as paróquias de São Clemente e de São Sebastião se associam, na profunda convicção de que “interpretar e escutar as obras do jovem compositor austríaco, e de modo particular aquelas em que confessou a sua fé cristã de um modo jubiloso, único e original, é a melhor maneira de o celebrar”.