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Rita Palma e Lígia Gonçalves, duas missionárias algarvias em terras de África

Rita Palma e Lígia Gonçalves, respectivamente de 20 e 42 anos de idade, concretizaram assim um sonho que tinham em comum: querer ajudar e dar um pouco de si próprias a quem, quase desconhece o significado da palavra ‘ter’, mas em contrapartida conhece imensamente o conteúdo da expressão ‘ser’.Embora tenham sido duas experiências completamente distintas, quer em termos de espaço, de tempo, e de enquadramento, encheram as duas participantes de sentimentos comuns que ambas têm dificuldade em exprimir em palavras. No entanto, uma e outra deixam escapar que «foi um enriquecimento» e que voltaram mais “ricas”.Rita Palma, membro do grupo de Jovens Sem Fronteiras (JSF) da paróquia de Santa Catarina da Fonte do Bispo e estudante de Enfermagem, participou numa experiência missionária em Angola, mais concretamente em Kibacho, uma localidade a cerca de 200 quilómetros a Norte de Luanda.hspace=1Lígia Gonçalves, casada, mãe de 2 filhos e professora de EMRC – Educação Moral e Religiosa Católica em Almancil, foi integrada numa missão promovida pela Congragação Franciscana até ao Chimoio, uma povoação no interior Centro de Moçambique, a cerca de 100 quilómetros da fronteira com o Zimbabué.Rita Palma refere mesmo que o que mais a fascinou, quando conheceu os JSF – movimento nacional fundado pelos padres da Congregação do Espírito Santo (espiritanos), – «foi saber da possibilidade de fazer experiências missionárias não só cá, [em Portugal], mas também noutros países». Esta sua vontade em ajudar os mais necessitados teve também influência na sua opção profissional, levando-a a decidir-se pelo ingresso num Curso Superior de Enfermagem.Mesmo sem o apoio familiar inscreveu-se na ‘Ponte’ (missão que o movimento JSF promove anualmente) deste ano e, sabendo de antemão que os profissionais da área da saúde são muito precisos em terras de missão ad gentes, acabou mesmo por ser uma das seleccionadas. Quando o apoio familiar não se fazia sentir, a força transmitida pelo grupo paroquial «foi muito importante» – refere. «Angariaram fundos para que eu pudesse levar algum material» – complementa Rita Palma, acrescentando também a importância do apoio do pároco e dos colegas de curso. «Na universidade, a maioria dos colegas e professores apoiaram-me imenso» – faz questão de sublinhar.Juntamente com mais 9 elementos, incluíndo um sacerdote, partiu no dia 31 de Julho para a missão em Kibacho, tendo regressado no dia 31 de Agosto a Portugal.Lá, o grupo ficou instalado na casa do padre Mota, missionário que já anda por aquelas paragens há mais de 40 anos. Trabalharam em várias aldeias num raio de 50 quilómetros à volta de Kibacho e para além do sacerdote missionário, o grupo foi igualmente acompanhado pelas 7 religiosas que colaboram com o padre Mota.Inserida num grupo com as mais variadas áreas de formação, Rita Palma leccionou a disciplina de Química aos professores locais. «Para mim foi um choque, pois quando lá cheguei constatei que os conhecimentos que os professores possuem são, talvez, inferiores aos de uma criança do nosso 4º ano do ensino básico» – testemunha. «Realizei ainda um seminário sobre Saúde para enfermeiros em várias regiões e procurei ainda sensibilizar a comunidade local com noções sobre alimentação e nutrição e tive igualmente oportunidade de exercer enfermagem, tratando de algumas pessoas feridas, outras com problemas gástricos ou de epilépcia». Agora, de regresso a Portugal, recorda com entusiasmo o acolhimento e a alegria do povo africano e não hesita em afirmar estar «mesmo decidida» em voltar a repetir a experiência, mas desta vez prolongada «por um ou dois anos». «Um mês deu para perceber o que é uma missão e quais as dificuldades com que o povo africano vive, mas não dá para nos apercebermos do resultado do nosso trabalho» – justifica.Rita Palma reconhece também que a sua experiência já começou a ter repercurssões nas outras pessoas, nomeadamente como estímulo para que outros membros do grupo paroquial pensem já em inscrever-se na próxima ‘Ponte 2005’.Lígia Gonçalves começou, desde há 4 anos, por colaborar na divulgação, sensibilização e angariação de fundos para os projectos de geminação das casas franciscanas de Portugal com as missões franciscanas em Moçambique e num dos jantares que organizava com esse íntuito conseguiu sensibilizar uma médica amiga que acabou por integrar também a missão deste ano. A estadia em Moçambique teve a duração de 3 semanas, de 13 de Julho a 4 de Agosto, e o grupo era composto por 3 pessoas, incluindo o frei Miguel, sacerdote franciscano conhecido dos algarvios.Instalados no Seminário o­nde funciona a missão franciscana do Chimoio, os missionários portugueses ministraram formação aos 36 rapazes que frequentam a instituição. Formação em saúde, nomeadamente ao nível dos cuidados de primeiros-socorros e da prevenção de doenças, bem como formação para a educação dos afectos, relações inter-pessoais e auto-estima foram os conteúdos leccionados aos jovens moçambicanos pela professora e médica algarvias.Ainda no Seminário, «o único sítio da povoação que tem água potável e moagem», aproveitaram para estabelecer algum contacto com a população, pois «deslocavam-se ali, por dia, centenas de pessoas».Segundo aquela professora de EMRC «as missões da Igreja continuam a ser um factor de desenvolvimento e promoção daquele povo», pois «são as missões que lhes proprocionam a formação, a saúde, a alimentação, o vestuário, etc».Para além destas iniciativas, os missionários portugueses visitaram ainda comunidades e famílias, e participarem em celebrações e encontros e, aos fins-de-semana, realizaram formações para as comunidades de jovens, de mães, e outras.Segundo Lígia Gonçalves, nestas visitas, «as pessoas mostraram-se imensamente acolhedoras». «Chegamos a qualquer sítio e colocam-nos logo uma cadeira, um banco e uma esteira à disposição. Se têm alguma coisa, do pouco que seja, dispõem-se logo a partilhar com os visitantes» – concretizou, reconhecendo a simplicidade do povo moçambicano. «Foi muito importante que eu tivesse ido despida das minhas categorias mentais, porque o que lá encontramos não se enquadra nas nossas ‘gavetas de arrumação’, é outra realidade e um ‘outro mundo’» – salienta, sublinhando que apesar disso «aquele povo consegue transmitir alegria no meio do nada que têm».«Consegui contagiar a família com o meu entusiasmo, de tal forma que a minha opção de dispor dos meus dias de férias para partilhar a minha vida com aquelas pessoas, ao invés de ir passar férias noutro lugar com a família foi bem aceite desde a primeira hora» – afirma, acrescentando que todos foram seus «colaboradores», pois prescindiram das próprias férias para que pudessem ir em missão. Tal como aconteceu com Rita Palma, também os colegas de Lígia Gonçalves «empenharam-se imenso» e arranjaram algum material para Moçambique. Em termos pessoais, Lígia Gonçalves garante ter feito uma descoberta importante. «Pude descobrir com esta experiência que há sempre outros que, por mais adversas sejam as condições em que vivem, acabam sempre por encontrar, através de nós, o tesouro que é Deus» – afirmou. Tanto no caso de Rita Palma como de Lígia Gonçalves as missionárias não contaram com grandes apoios financeiros para a concretização deste sonho comum, sendo que no caso de Rita Palma a Associação “Sol Sem Fronteiras” financiou cerca de dois terços da viagem, enquanto Lígia Gonçalves suportou o encargo total da sua deslocação.

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