Ao longo da procissão, reúnem-se em pequenos grupos para, alternadamente, se levantar o grito do "aleluia". Aqui e além ouve-se uma voz potente e sonora que entoa: "Ressuscitou como disse!". O grupo erguendo bem alto a tocha, com grande alegria e entusiasmo, responde: "Aleluia, aleluia, aleluia!". É a manifestação da fé e o testemunho público de Cristo ressuscitado que faz de São Brás de Alportel, uma vez mais, palco de uma das mais genuínas manifestações religiosas do País em Dia da Ressurreição do Senhor – a secular Procissão de Aleluia, em honra de Cristo ressuscitado, onde os andores dão lugar às flores, que ornamentam tochas artisticamente decoradas. As ruas apinham-se de gente, as varandas estão engalanadas, as colchas estendidas ondulam ao vento. Tapetes de flores, com 1 klm, trabalho de mãos voluntariosas, descrevem o percurso da procissão. São Brás de Alportel é uma terra em festa em cada Domingo de Páscoa. Filhos seus, dispersos por outras terras do País e do mundo, tornam à terra que os viu nascer, neste dia que é de orgulho para todos os são-brasenses. Mas não só os filhos da terra visitam São Brás neste dia, ano após ano, são milhares os crentes ou simplesmente curiosos que passam por São Brás no Domingo de Páscoa para assistir a este testemunho público de fé. Este ano a abertura das ruas para apreciação do tapete de flores acontece, pelas 9.30 horas, seguindo-se, às 10.30 horas, a celebração da Eucaristia da Páscoa do Senhor na igreja matriz, e pelas 11.30 horas, a Procissão do Aleluia. Às 13 horas volta a celebrar-se nova Eucaristia na igreja matriz e, pelas 15.30 horas, tem início a tarde cultural, no adro da igreja matriz, e que terá como principal atracção artística a cantora Nucha. História Esta procissão foi outrora popular em todo o Algarve. As confrarias eram então obrigadas a levar uma tocha acesa ou luminária e opas vestidas. Posteriormente, a falta de cera levou ao aparecimento de paus pintados e ornamentados com flores, no cimo do qual se colocava uma pequena vela. Mais tarde, com o desaparecimento das confrarias, permanecem na procissão os paus enfeitados, as lanternas e as velas acesas ao lado do pálio e as opas, ainda hoje vestidas pelos homens que transportam o pálio. Ao longo da procissão, sempre se cantaram hinos, responsos e o Aleluia, em honra da Ressurreição do Senhor. Outrora havia um ou dois coros a cantar e o povo respondia, mas com o passar do tempo, a falta de clero e de cantores, levou a que o canto ficasse na boca do povo.