“São Paulo percebe claramente que essa mediação é só uma realidade por causa do outro”, constatou, observando que, “se a experiência de Jesus Cristo é uma experiência de relação (como São Paulo experimenta), então ela só pode ser testemunhada através de uma experiência em relação”. “A experiência que São Paulo faz de Jesus Cristo é uma experiência de encontro relacional e portanto Cristo só pode ser testemunhado nesse âmbito”, elucidou. Juan Ambrosio concluiu igualmente que “são as comunidades cristãs que vão proporcionar a São Paulo o aprofundamento do conhecimento de Jesus”. “Para o próprio Paulo, as comunidades cristãs já existentes foram fundamentais para aprofundar a experiência de encontro que tinha tido a caminho de Damasco. Vai aprender a aprofundar o que foi uma experiência brutal de encontro, mas que não ficou logo clara na sua cabeça. Vai aprofundá-lo depois, à medida que vai tornando inteligível o que ele viveu e a «chave hermenêutica» que vai ajudar a tornar inteligível o que ele viveu são as comunidades cristãs que já existiam”, justificou Juan Ambrosio, salientando que esta é também a experiência de cada cristão. Salientando por isso que “a conversão de Paulo foi um processo que demorou alguns anos”, o conferencista afirmou que “quando ele reflecte sobre isso percebe que o que o levou a fazer esse processo foi o encontro com o Ressuscitado”. “Não é o encontro com o Ressuscitado que faz que São Paulo deixe de ser fariseu” (judeu muito cumpridor da lei), mas “São Paulo encontra-se com o Ressuscitado e isso provoca nele uma mudança, sendo depois acolhido pelas comunidades cristãs onde aprende a conhecer melhor Jesus Cristo, sendo este o itinerário que o faz passar de um ponto ao outro”. “É a partir da experiência desse encontro que ele vai descobrindo a identidade da sua missão”, sublinhou o teólogo, reconhecendo que esse encontro, “que já vinha sendo preparado antes e que vai ser amadurecido depois”, “é equivalente ao encontro que os outros doze tiveram com Jesus”. “Isto é uma profunda experiência e relação de amor”, considerou Juan Ambrosio, lembrando que Paulo “não recebe doutrina, uma moral, uma reflexão teológica, mas faz apenas uma experiência de encontro e o resto vem posteriormente, sendo integrado e lido à luz dessa experiência de encontro”.