A laicidade é um dos problemas candentes que, nos últimos anos, tem seriamente inquietado a Santa Sé numa preocupação sincera para compreender essa vivência… De facto, actualmente, que é o que vemos no que diz respeito à sociedade em geral e aos jovens em particular? Quanto à sociedade parece viver uma verdadeira indiferença religiosa e, quanto às gerações mais jovens vemos que estão a ser criadas na maior ignorância do património espiritual do povo a que pertencem… Contudo, por outro lado, verifica-se também uma certa apetência, um interesse e uma atracção pelo fenómeno religioso. E também um dado visível que as actuais sociedades multi-étnicas e multi-culturais encontram nas religiões um factor de coesão, de diálogo e até, em certos casos, de colaboração harmoniosa. Existe ainda, pelo menos em teoria, uma certo respeito pela dimensão institucional da religião, muito embora em alguns Estados as comunidades religiosas sejam obrigadas a registarem-se para que possam gozar de liberdade que, no fim de contas, é sempre bastante limitada… Infelizmente, há ainda países cuja legislação nega o direito a mudar de religião, embora este direito seja até reconhecido pela Declaração Universal dos Direitos do Homem das Nações Unidas. De qualquer maneira e apesar dos muitos entraves, podemos afirmar que existem, hoje, vários sectores das nossas sociedades o­nde se vislumbra um certo ambiente capaz de constituir uma base para que o movimento laico possa vir a ser ou a tornar-se o que já Pio XII cognominou de «sã laicidade». Oxalá que as coisas evoluam nesse sentido.