Segundo o sacerdote, esta encíclica do Papa, saída do seu próprio punho, “trata-se de um magistério pontifício centrado no essencial da fé cristã, as suas verdades teologais”. O padre António Martins não coloca mesmo de parte a possibilidade de o Papa possa trazer a lume um futura encíclica sobre a fé. “Primeiro o amor (caritas) e agora a esperança (spes). Não é de excluir que, no futuro, uma próxima encíclica possa abordar a questão da fé (fides)”, refere. “Num tempo como o nosso, marcado por um profundo desencanto colectivo, por um pessimismo existencial, pelo sofrimento e pela injustiça gritante em tantas áreas do globo, o apelo do Papa à radical motivação da esperança cristã não só é oportuno como constitui mesmo uma autêntica mensagem profética para os nossos dias”, considera o padre António Martins. O sacerdote explica ainda que “Bento XVI desenvolve o seu raciocínio num texto dividido em 50 parágrafos, sem uma clara estrutura de sistematização interna”. “A linguagem de Spe Salvi é, por vezes, hermética e marcada por um rigor tecnicista e terminológico. A fisionomia do intelectual mais uma vez se revela claramente. Pela sua complexidade temática e terminológica, pelo seu denso raciocínio, o texto está longe de ser acessível ao grande público, inclusive o cristão. Para ser claramente compreendida e passar de texto «informativo» a texto «performativo» (com implicações na vida), esta Encíclica necessita, por isso, de ser traduzida numa linguagem mais simples, com um impacto pastoral e concreto mais imediato. Esta tarefa cabe a todos aqueles que, pessoal e comunitariamente, estão comprometidos no acontecer da Igreja na história, chamados quotidianamente a dar razões da sua esperança”, explica o teólogo algarvio.