Com efeito, as interpretações levadas a cabo pelo organista Nuno Alexandrino e pelo Coro de Câmara do Grupo Coral Adágio arranca-ram fortes aplausos dos presentes que ao longo da noite foram sendo cativados para as sonoridades do instrumento. Monsenhor Joaquim Cupertino, deão do Cabido Catedralício, destacou na sua intervenção a sa-tisfação dos capitulares em ver "o fruto da sua dedicação e do traba-lho que tem levado a cabo na conservação e no embelezamento" da Catedral, "em ordem ao decoro e brilhantismo dos actos liturgicos que nela se realizam". "A coroar este trabalho temos a alegria de nos reunirmos aqui para o acto inaugural de restauro do órgão histórico para que nesta Sé de Faro possa continuar a reflugir a dignidade e o esplendor do culto, o louvor de Deus e a participação dos fiéis sobretudo nas cerimónias litúrgicas de maior destaque presididas pelo Bispo da diocese", referiu aquele membro do Cabido Ca-tedralício. Monsenhor Joaquim Cupertino agradeceu a confiança e apoio ao Cabido por parte dos Bispos do Algarve, as ajudas do IPPAR – Ins-tituto Português do Património Arquitectónico e a "prestimosa" colaboração e apoio da Câmara de Faro. António Alves Pereira, maestro do grupo Coral Adágio, interviu sobre "A Música na Catedral de Faro na primeira metade do século XVIII", atribuindo a autoria do órgão histórico da Sé de Faro a Johann Heinrich Ulenkampf. Dinarte Machado, o mestre organeiro responsável pelo restauro do instrumento, sublinhou a possibi-lidade de ter sido D. João V a ofe-recer o órgão à Sé de Faro e confirmou a sua origem da escola nórdica-alemã. Em relação ao seu trabalho, afirmou ter-se tratado de uma "limpeza geral profunda", tendo sido desmontados a totalidade dos quase 2000 tubos. Foi ainda feita uma revisão mecânica, seguindo-se de uma re-harmonização e afinação geral do instrumento" em harmonia com o espaço da catedral, explicou o organeiro. "Creio que, com a correcção da alimentação mais próxima, não do ideal, mas daquilo que o instrumento necessitava, o órgão ganhou o seu brilho e a sua posição original correspondente à sua época", acrescentou Dinarte Machado, congratulando-se com o facto de este ter sido o único restauro que chegou ao fim dos 4 designados pelo IPPAR. Ao longo da noite foram interpretadas peças de J.S. Bach, Carlos Seixas, João Rodrigues Esteves, Andrés de Sola, Francisco Xavier Baptista, Pedro de Araújo e de João Rodrigues Esteves.