Tendo-lhe sido proposto o tema “Olhar o amor em São Paulo – Viver o amor hoje”, o teólogo, que falou no âmbito do Dia Diocesano do Professor promovido pelo Secretariado Diocesano do Ensino da Igreja nas Escolas, embora sem ser especialista na área da Sagrada Escritura (exegeta), procurou fazer uma abordagem global à experiência de São Paulo para tentar comprovar como na sua base pode encontrar-se a dimensão do amor. Tentando responder à pergunta “Qual o segredo da vida de Paulo?”, Juan Ambrosio, no ensaio de resposta que se propôs realizar com os 42 professores participantes (17 dos quais de outras disciplinas que não EMRC – Educação Moral e Religiosa Católica), acabou por mostrar que o que está na base do segredo da vida de Paulo é aquela experiência de encontro com Jesus Cristo que ele viveu por todas as comunidades por onde andou. O conferencista, que interveio em Faro, no Seminário de São José, ao longo do dia em três fases, procurou mostrar, salientado o seu aspecto humano, que o itinerário feito pelo apóstolo é igualmente fazível pelos cristãos de hoje. O teólogo procurou mostrar que, quando se cumprem as normas cristãs por obrigação, elas são um peso. Ao contrário, se se cumprem porque brotam da experiência de encontro com Cristo, então são libertadoras. “A fidelidade que vivo não a vejo como uma delimitação da minha liberdade, mas como uma realização da minha liberdade. É exactamente assim com Paulo”, explicou. Começando por dar a conhecer um Paulo fariseu, com excelente formação retórica, estudado, profundo conhecedor da Bíblia judaica, cumpridor dos preceitos alimentares e zeloso pela lei, que não terá tido grande interesse em ouvir Jesus e que terá perseguido cristãos, Ambrosio aflui no Paulo que compreendeu o amor de Deus, por causa da experiência de encontro que teve com Ele. O conferencista, que explicou que Paulo tinha sido perseguidor dos cristãos porque “era especialista em retórica e destroçava os seus adversários fazendo-os passar um mau bocado por estar constantemente, com a preparação que tinha, a rebater e a destruir os argumentos dos outros” e não porque os matasse, mostrou que o apóstolo “encontrou um paralelo na sua vida com a de Jesus”. “Também era judeu, também foi para além da lei e dos ritos e também sofre na sua vida as consequências desta opção”, constatou Juan Ambrosio, lembrando que, “quando Paulo descobre a imensidão do amor de Jesus por ele, retribui a esse amor respondendo totalmente também em fidelidade e amor”. De acordo com Juan Ambrosio, Paulo passa a salientar Cristo como o Crucificado, pois “descobre que ama Jesus porque descobriu que Jesus Cristo o amou a ele, morrendo, por ele, na cruz”. Paulo procura mostrar que o Crucificado e o Ressuscitado, que se encontrou com ele, são o mesmo “homem concreto”, explicou o teólogo, demonstrando que, logo, “a legitimidade dele como apóstolo é a mesma da dos outros apóstolos”. “Foi o mesmo Cristo que enviou a todos”, constatou. “Perceber esse amor que a crucificação de Cristo revelou como constituinte de uma humanidade genuína leva Paulo a compreender que a experiência cristã é muito mais do que uma simples colaboração ou cooperação. É uma experiência de vida que só pode ser vivida em comunidade, onde o amor é a nova lei”, salientou Juan Ambrosio, considerando que “Paulo continua a ser um homem da lei, só que a lei é outra”.