Após a bênção dos ramos seguiu-se então a procissão até à Catedral da diocese algarvia. D. Manuel Neto Quintas explicou o significado da celebração de Domingo de Ramos, marcado para além do cortejo processional de introdução à Eucaristia, pela narração da Paixão do Senhor. O Bispo dio-cesano elucidou que pretende a Igreja com esta proclamação da Palavra de Deus "introduzir-nos e ajudar-nos a reviver ao longo desta Semana Santa, os passos santos e significativos da vida de Cristo e decisivos na obra da redenção". A propósito da dificuldade que possa haver em entender a atitude humilde de Jesus, não só aquando da sua entrada em Jerusalém, mas sobretudo na hora da sua condenação, o Bispo do Algarve explicou a relação entre humildade e amor. "A entrada festiva em Jerusalém, aclamado vitoriosamente pelo povo, contrasta com a atitude humilde assumida por Jesus. Humildade que exprime uma forma estranha, aos nossos olhos, de Deus manifestar em Jesus o seu poder e triunfo sobre o pecado e a morte e realizar a redenção do mundo. É que, como sabemos, a humildade é uma das características fundamentais do amor. O amor, se é verdadeiro e fiel, é necessariamente um amor humilde. É um amor que exprime a síntese de todos os atributos de Deus não podia deixar de ser humilde, na encarnação e no nascimento de Jesus, na vida escondida de Nazaré e na sua vida pública e nos mistérios que celebramos com a sua paixão e morte na cruz", referiu. A propósito do episódio da entrada de Jesus em Jerusalém montado num jumento, o Bispo do Algarve aludiu à extracção de três conclusões para servirem de guias na compreensão e na vivência da Semana Santa. "Jesus é um rei dos pobres, da paz e do amor", enumerou o Prelado. "Jesus é um pobre entre pobres. Pobres em sentido bíblico, caracterizados pela simplicidade de coração, despreendimento e grande liberdade interior face aos bens, capacidade de resistir a todo o afã e ânsia de ócio de poder, pela dependência e confiança em Deus como Pai providente", afirmou o Bispo diocesano, acrescentando que "esta liberdade, face a tudo o que pode ocupar o lugar de Deus no nosso coração e na nossa vida, conseguida através de pacientes e persistentes renúncias quotidianas no seguimento de Cristo, só é possivel àqueles que têm a coragem de acolher Deus com a sua incomparável riqueza". D. Manuel Quintas salientou que Jesus "é um rei portador da Paz". "O sinal pacificador da Cruz unirá o céu e a terra e construirá pontes entre pessoas e povos, culturas e nações, sinal de amor reconciliador, mais forte do que a morte. Traçar sobre nós mesmos o sinal da cruz, significa sempre assumirmos em toda a sua intensidade o compromisso de sermos construtores da paz", explicou, exortando os fiéis a "não responder a uma palavra agressiva, a uma atitude injusta ou mesmo a um gesto violento, com outra palavra agressiva ou gesto violento". "Este rei, portador da paz, ensinou-nos, com a lição eloquente e de permanente actualidade, proferida no alto da cruz, que o bem é a única forma eficaz de vencer o mal", acrescentou, lembrando que "Jesus vem também estabelecer um reino de amor onde se fala uma única linguagem: a do espírito e do amor". "Aqueles que estabelecem relações fraternas através desta linguagem fazem da terra inteira o seu país e de todos os povos o seu povo, de todas as raças a sua raça e de cada homem ou mulher, um irmão ou irmã", concluiu. O Bispo diocesano recordou ainda que "a salvação operada por Jesus é universal, actualiza-se e torna-se presente sempre que cada um dos seus discípulos, cada cristão, fala, através de gestos concretos, esta linguagem do amor e se torna construtor permanente deste reino". "Sempre que nos reunimos em Eucaristia, o sacramento do servo pobre e humilde, aclamado nas ruas de Jerusalém, do rei portador da paz e universalidade da salvação, actualizamos em nós e tornamos presente no mundo de hoje o testamento de amor que Cristo nos legou e que somos convidados a reviver e actualizar, de maneira particular ao longo desta semana que hoje iniciamos", frisou. A terminar, D. Manuel Quintas exortou os presentes a que abram os corações para que, seguindo o exemplo de Cristo, se convertam verdadeiramente em "mensageiros do seu amor e da sua paz".