O padre Mário de Sousa, reitor da instituição, assegura que as intervenções “surgiram da necessidade de conservação do edifício”, que conta já com mais de 200 anos. O sacerdote recorda que as obras começaram “por uma pintura no tecto da escadaria principal do Seminário”, que “estava em tão mau estado que desabou”. O reitor explica que, com a proximidade da Ria Formosa, “o edifício é muito salitroso, de tal forma que o pavimento do rés-do-chão estava desfeito e foi preciso criar um sistema de circulação de ar por debaixo, com respiradores para a rua, para secar as paredes”. “Substituiu-se todo o pavimento e as paredes foram picadas”, complementa o padre Mário de Sousa. Outro dos problemas do edifício prendia-se com as bibliotecas. “A grande quantidade de livros que as bibliotecas têm, exigiu que fossem criadas no primeiro andar várias bibliotecas, mas o edifício não tem estrutura para aguentar as toneladas que os livros significam”, adverte o reitor. Para resolver esta questão irá ser criada no primeiro piso, na zona o­nde existiam os balneários das antigas camaratas, um biblioteca única que comporte todo o conteúdo das salas do primeiro andar. O padre Mário de Sousa que assegura que “a canalização dos antigos balneários estava podre”, salienta que outra das vantagens será a “possibilidade de acesso pela rua, sem interferência na vida do seminário no primeiro andar”. E porque, – certifica o Reitor, – “a conservação de uma casa destas é muito cara e o Seminário não tem possibilidades para suportá-la”, o Seminário diocesano tem “tentado valorizar o património que tem”. Por isso, as salas do CEFLA – Centro de Estudos e Formação de Leigos do Algarve foram recuperadas e alugadas a entidades que prestam formação e necessitam daquele espaço. As salas do CEFLA foram também alugadas à Caritas algarvia que colaborou também com um novo pavimento e com novas janelas de alumínio. Foi ainda remodelada toda a instalação eléctrica. Por outro lado, aquelas salas funcionam, por enquanto, como espaços de apoio à paróquia da Sé de Faro. O padre Mário de Sousa lembra ainda que “todos os espaços recuperados servirão não só para Seminário, mas também para actividades diocesanas”. Um dos problemas maiores do edifício do Seminário tem a ver com a cobertura. “O telhado, com os ventos que vêm da Ria Formosa, deixa passar água, o que provocou, ao longo dos tempos, o apodrecimento das vigas e o telhado começou a ceder. Isto significa que, por vezes, quando a chuva vem picada, entra água no quarto dos alunos”, esclarece o sacerdote, acrescentando que “o facto de a água ir entrando provocou estragos vários”. “Tínhamos muitas janelas podres e, com a proximidade da Ria, a humidade é demasiada”, constata o reitor. Embora reconheça a urgência da obra da cobertura, o padre Mário de Sousa garante que é preciso “esperar mais algum tempo”. “É uma obra necessária, mas são precisos muito milhares de euros e a obra tem de ser muito bem preparada para que quando a comecemos tenhamos possibilidade de a levar até ao fim”, justifica. Até agora as obras realizadas custaram cerca de 70 mil euros e não tiveram qualquer apoio, tendo sido totalmente levadas a cabo com fundos do próprio Seminário. Salas do Seminário irão acolher Serviços Diocesanos de Pastoral No rés-do-chão do Seminário, as salas que existiam na parte da frente estão a ser recuperadas para acolher os Serviços Diocesanos de Pastoral. O Bispo do Algarve garante que se pensou “deslocar os serviços para aquela zona, ficando ainda uma parte o­nde estão neste momento e, possivelmente, dando outra finalidade às salas do rés-do-chão que ainda estão fechadas”. O objectivo, garante D. Manuel Quintas é “aproveitar e rentabilizar melhor o primeiro piso do Seminário, quer ao serviço da própria instituição, quer ao serviço da diocese”. Quanto à entrada, o Prelado assegura que ainda irá ser definida por qual das portas se fará a entrada, se continuará pelo número 20 ou se passará para o número 19.