O conferencista abordou o tema “«Para mim viver é Cristo» (Fil 2,21): a identificação com Cristo”, tendo iniciado por deixar claro que “a teologia Paulina é a prática”, pois “Paulo aborda as questões em função dos problemas que lhe são colocados ou que tem de enfrentar”. Por outro lado, evidenciou que “a cristologia de Paulo é funcional”. “Ele não prega um Cristo teórico, cujo conhecimento provenha de um raciocínio filosófico, mas prega O Cristo crucificado e o que esse acontecimento significa para toda a humanidade”, frisou, justificando que toda a teologia de Paulo é uma “teologia aplicada”. “Olha para a condição humana, para o mundo e para a história e interpreta-os a partir da relação que ele próprio experimentou com Jesus Cristo, morto e ressuscitado. A fonte de todo o seu pensamento é o encontro com este Jesus ressuscitado que aconteceu pela primeira vez quando ele se dirigia para Damasco”, explicou o cónego José Palos, acrescentando que “o que mais determinou o seu pensamento e o conhecimento de Cristo, foi a experiência da sua vida e principalmente a experiência próxima de Damasco”. O primeiro interveniente das Jornadas Paulinas esclareceu que a conversão de Paulo “não é a de um criminoso qualquer, mas a de um fariseu que era zeloso da lei, piedoso, embora fosso intolerante”. Neste contexto, justificou que “a experiência de Paulo é essencialmente uma revelação do Filho [de Deus] a ele ou nele. O acontecimento não pode ser interpretado apenas como uma conversão moral, como se fosse um pecador que mudou de vida. Também não mudou simplesmente de «bandeira», como se antes empunhasse a do zeloso fariseu e agora a da Igreja ou de Jesus Cristo”, clarificou, afirmando que “a ideia que fica é a de um voltar-se para Jesus, de começar a caminhar com Ele, de estabelecer uma relação com O crucificado e ressuscitado”, que se tornou o centro da sua vida. Citando Bento XVI garantiu que “São Paulo não foi transformado por um pensamento, mas por um acontecimento, pela presença irresistível do Ressuscitado da qual nunca poderá duvidar, tão forte havia sido a evidência deste encontro”. “Esta transformação não foi fruto de um processo psicológico, de um amadurecimento em evolução intelectual ou moral, mas veio de fora. Morreu uma existência e nasceu outra nova com Cristo ressuscitado”, complementou, recuperando as palavras do actual Papa. O cónego José Palos, sublinhando que “Paulo sentiu-se amado e chamado por Deus, através de Jesus”, elucidou que “se se pode falar de conversão, ela tem de se entendida como um começar a amar apaixonadamente Jesus Cristo”, que antes odiava. “Ser amado na sua capacidade do bem é possível humanamente e bastante frequente, mas ser amado no pecado e no preciso momento em que se odeia o outro é novo”, destacou o conferencista, garantindo que foi isso que transtornou Paulo, a ponto de o modificar. “É esta experiência fundamental que ele procurará testemunhar com todas as suas forças. O que sabemos da vida de Paulo demonstra que ele, amado pelo Senhor, procurará corresponder-Lhe conformando-se com toda a sua pessoa a Jesus Cristo crucificado”, disse, mostrando que “há, na vida de Paulo, uma rotura e continuidade”. “Deixou de acreditar naquilo que fazia por Deus para acreditar naquilo que Deus faz por ele em Jesus Cristo”, complementou, acrescentando que “Paulo sabe que foi por ele que Cristo se entregou e esta certeza impele-o a entregar toda a sua vida por Cristo”. “Ele já não se pertence a si mesmo. Paulo já não vive para si mesmo e para a sua justiça”, salientou, evidenciando a propósito da conhecida expressão na sua carta aos Gálatas “já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”. O conferencista mostrou que Paulo configurou a sua vida com Evangelho e de tal forma que entendia que a oposição feita à sua própria vida confere ao Evangelho uma força e eloquência maior. Com base na expressão paulina “viver é Cristo e morrer é lucro”, da carta aos Filipenses, o interveniente explicou que “a vida de todo aquele que acredita em Cristo como Paulo, se a razão profunda do seu viver é Cristo e se toda a vida é por Cristo, pode dizer que a morte até se torna um lucro porque conduz a uma comunhão mais profunda com o próprio Cristo”. “Colocado entre uma morte vantajosa e vida frutuosa, Paulo dispõe-se a tudo porque ambos os desfechos são a favor de Cristo”, referiu, assegurando que “nesta reflexão Paulina não se encontra um desprezo pela vida terrena”, mas antes o contrário. A terminar, deixou a ideia que, embora possa parecer, a experiência de Paulo com Cristo não se trata de uma “experiência mística”, reservada apenas a uns tantos eleitos, mas “é a meta de todo e qualquer cristão”. Mais fotos, brevemente na Galeria de Imagens