Esta obra, surgida em 1609, é refe-rida como se havendo tornado em "uma espécie de manual de vida cristã para o seu tempo". Vivendo num período conturbado da História do Cristianismo, em plena Reforma (1567 / 1622), em plena pátria-mãe do Calvinismo, pois foi Bispo de Genebra (Suiça) contrapôs, como grandes facetas da sua actividade pastoral e da identidade humana, a um notório pessimismo "um sentido de valorização da dignidade do homem, de um fundo evangélico sabiamente conjugado com os ideais renascentistas que valorizavam a pessoa humana como sede de sabedoria". Este padroado de São Francisco de Sales para um sector profissional em que nos assumimos há mais de 50 anos leva-nos a meditar na excelência, em nossos dias, das acrescidas responsabilidades do que é ser jornalista cristão e das dificuldades que se deparam, bem como de quanto importa pedirmos a Deus a coragem para o ser e concretizar mos na prática da Comunicação Social o contributo exigível e exigido para a construção de um Mundo de Justiça, de Paz e de Solidariedade. Na verdade São Francisco de Sales, cujo atri-buto iconográfico principal é um coração inflamado ou trespassado rodea-do de um coroa de espi-nhos, bem como um globo de fogo, surge-nos, volvidos quatrocentos anos com o mesmo ideal de firmeza de um fé forte e dinâmica eivada por um sentido de percepção dos sinais de Deus nos corações humanos e dos sinais da humanidade que levam à própria descoberta de Deus. Mesmo para quantos jornalistas não são crentes, São Francisco de Sales testemunha em nossos dias, tão necessitados desses propósitos, o exemplo do renovamento vivifico e fraterno, de uma sensibilidade tocante e direccionada para os ideais da concórdia, de justiça, da paz, do entendimento e compreensão entre os povos, da não violência, da repartição de todos os bens que o Senhor nos concedeu, do percorrer com verdade e descoberta da verdade, em suma de haver uma vida, devota ou não, capazes de nos trespassaram na dignidade de nos assumirmos e assumirmos o que escrevemos. Ao fim e ao cabo estes ensejos invocados na veneração de São Francisco de Sales, Padroeiro dos Jornalistas, na sua memória litúrgica (24 de Janeiro) inserem-se em ple-nitude e enquadram-se totalmente no tema do Programa Pastoral da Diocese do Algarve: "(Re)conhecer em Cristo a nossa identidade e missão".