Nas celebrações litúrgicas, o silêncio é um elemento importante mas, infelizmente, muitas vezes, descuidado e até voluntariamente sacrificado em nome duma "participação activa, concebida erradamente no sentido, bastante limitado, de voz e gesto…" Sobretudo na Missa quão útil e necessário se torna a observação dos silêncios que tanto a "Instrução do Missal Romano" como as rubricas do próprio Missam recomendam. Citemos: "… Também se deve guardar, nos momentos próprios, o silêncio sagrado, como parte integrante da celebração. A natureza deste silêncio depende do momento em que ele é observado no decurso da celebração. Assim, no acto penitencial e a seguir ao convite à oração, o silêncio destina-se ao recolhimento interior; a seguir às leituras ou à homilia, é para uma breve meditação sobre o que se ouviu depois da Comunhão é, digamos assim, para favorecer a oração interior e de louvor e acção de graças". E continuando a citar o número 45 da Instrução Geral do Missal Romano, vejamos o que recomenda, ainda antes da celebração, de modo a que se crie o ambiente propício ao mistério que se vai realizar: "Já antes da própria celebração é louvável observar o silêncio na Igreja, na sacristia, no vestiário e nos lugares que lhe ficam mais próximos, para que todos se disponham com devoção e devidamente para celebrar os ritos sagrados". A mesma Instrução para o acto penitencial diz o seguinte: "o sacerdote convida ao acto penitencial, o qual, após uma breve pausa de silêncio, é feito por toda a comunidade com uma fórmula de confissão geral e termina com a absolvição do sacerdote; esta absolvição, porém, carece de eficácia do sacramento da penitência". Outro breve silêncio que se deve guardar é quando o sacerdote convida o povo à oração; e "todos juntamente com ele, se recolhem a fim de tomarem consciência de que se encontram na presença de Deus e poderem formular interiormente as suas intervenções”. De seguida, o sacerdote reza a oração chamada "colecta pela qual se exprime o carácter da celebração. O povo associa-se a esta súplica e faz sua a oração pela aclamação "Ámen". Também depois das leituras ou da homilia deve observar um breve espaço de silêncio para que todos me-ditem brevemente no que ouviram. A oração Eucarística é escutada com reverência e o silêncio. Também antes e em preparação para a Comunhão, o sacerdote, só o sacerdote, reza as orações respectivas. Finalmente, depois da distribuição da Comunhão "o sacerdote e os fiéis, conforme a oportunidade, oram alguns momentos em silêncio". É uma oração de louvor e acção de graças. Podíamos ainda falar do silêncio que se deve guardar em lugares sagrados, tantas vezes esquecido… Mesmo até pessoas que assiduamente vão à Igreja caem nesta tentação. Especialmente, não só nos casamentos e baptizados, como até nas primeiras comunhões, antes e depois das celebrações, faz-se da igreja autêntica feira, esquecendo-se até da presença recolhida de Jesus no Sacrário… Neste particular, recai também sobre o clero uma certa responsabilidade, pois, muitas vezes, por cobardia ou falsa compreensão, fica indiferente, sem chamar a atenção do povo, para tão notório desrespeito.