Esta deve ser sempre a nossa atitude depois de termos cumprido a nossa missão, seja a que nível for. Quando no silêncio da nossa família, realizamos a nossa missão de pais e de mães, de educadores, quantas vezes com grandes sacrifícios, quantas vezes sofrendo humilhações e constrangimentos nos locais de trabalho, para que nada falte aos nossos filhos, para que não falte o pão em casa, não devemos esperar que os nossos familiares nos agradeçam e fiquem reconhecidos, pois apenas "somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer"; Quando no seio da Igreja, das Paróquias, das instituições de solidariedade social, dos Centros Sociais, pastores ou leigos, muitas vezes não vemos reconhecido o nosso esforço, o nossos trabalho, o nosso sacrifício, a nossa dedicação e até recebemos em retribuição algo que à nossa sensibilidade se pode assemelhar com a ingratidão ou com a incompreensão, não devemos levar a mal, pois apenas "somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer". Na Igreja ou na sociedade, na família como no mundo devemos estar prontos para servir com humildade e a ocupar o último lugar. Exactamente a este propósito o Santo Padre escreveu na sua Encíclica "Deus é Amor" que "Cristo ocupou o último lugar no mundo – a cruz – e, precisamente com esta humildade radical, nos redimiu e ajuda sem cessar". Logo a seguir acrescenta Bento XVI no nº 35 daquela magistral Encíclica, que aliás quanto mais lemos e aprofundamos mais admiramos e apreciamos: "Quem se acha em condições de ajudar (o próximo) há-de reconhecer que, precisamente deste modo, é também ele próprio ajudado; não é mérito seu nem título de glória o facto de ajudar. Esta tarefa é graça. Quanto mais alguém trabalhar pelos outros, tanto melhor compreenderá e assumirá como própria esta palavra de Cristo: "Somos servos inúteis"". De facto, contemplando a cruz de Cristo, particularmente neste tempo da Quaresma e da Paixão, diante da cruz de Cristo não há ninguém que possa vangloriar-se a si mesmo, que possa vangloriar-se dos seus próprios méritos. S. Paulo a este propósito é muitíssimo claro, quando na Primeira Carta aos Coríntios recomenda que "aquele que se gloria, glorie-se no Senhor" (1 Cor 1, 31) ou ainda quando se dirige aos Gálatas para lhes dizer que "quanto a mim, de nada me quero gloriar, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo" (Gal 6, 14). Também podemos recuar ao Antigo Testamento, e ler no Salmo 113 B "Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória", pois "os ídolos dos gentios são ouro e prata, são obra das mãos do homem". Dado que nada nem ninguém pode ocupar o lugar de Deus, não devemos por isso tributar a nada nem a ninguém a homenagem que só a Ele deve ser prestada. Ídolo algum deve ser admitido a contaminar o nosso coração. Este salmo 113, tem justamente um carácter baptismal pela renuncia a Satanás, simbolizado nos ídolos dos gentios, ídolos que não são nada nem nada significam, são obra das mãos do homem, autênticos fetiches, simples estatuetas de prata, ouro ou até de simples metal fundido. Em comentário a este salmo Santo Agostinho, ensina-nos "a rejeitar tudo o que nasce das mãos dos homens e que eles adoram como se fossem deuses", recomendando-nos "não te sirvas do trabalho do homem para, do metal que o Deus verdadeiro fez, fazeres tu um falso deus a quem veneras por verdadeiro Deus".