O Bispo diocesano, que começou por recordar que “Deus serve-se daqueles que chama” para falar, guiar e conduzir os fiéis, destacou a missão do padre hoje. D. Manuel Quintas lembrou o serviço, ministério, gestos – sobretudo os sacramentais – que exprimiram a presença, o amor, a misericórdia e a esperança de Deus na vida daqueles com quem o padre Júlio Tropa Mendes se cruzou. O sacerdote homenageado agradeceu a Deus, lembrando o problema de saúde que viveu há um ano atrás, e garantiu que, embora não tenha nascido no Algarve, foi “algarviado”. Evocou a “amizade grande” dos cinco Bispos do Algarve com quem trabalhou e trabalha e recordou o convite feito para paroquiar aquela comunidade do Barrocal algarvio. “O D. Júlio Rebimbas disse-me: «preciso de ti para Santa Bárbara de Nexe, dizem que é a pior freguesia do Algarve». Agora reparem o entusiasmo com que se convida um jovem para trabalhar”, gracejou, referindo-se à proposta que lhe foi apresentada inicialmente para dois anos. O sacerdote lembrou o grupo de jovens que o recebeu “solidariamente” quando chegou, “não para arranjar casa, nem para ter prestígio, mas para servir”. “Com eles cresci como padre”, reconheceu, salientando que “o padre nem sempre é bem-vindo”. A propósito, recordou episódios em que a intolerância se manifestou para consigo e, passados esses primeiros tempos mais atribulados, garantiu que, durante todos estes anos, nunca lhe faltaram amigos. “Nunca voltei a cara e sofri”, reconheceu, lembrando “a frieza na escola em Loulé”, para onde foi leccionar nos primeiros anos, uma vez que a paróquia não possuía na altura recursos para sustentar o prior, e onde se manteve como professor até aos 70 anos. “No início, ainda pedi ao Bispo para ir embora”, confessou, mas a persistência com que aceitou ficar seria a mesma que mais tarde o levaria a não aceitar a proposta para sair. “Dou graças a Deus por estar aqui, não pelas minhas qualidades e habilidades, mas pela força do Espírito. Dizer-vos daquilo que fiz, está à vista. O que não fiz também está à vista. Só peço a Deus que este dia seja de acção de graças”, afirmou, manifestando ao Bispo do Algarve disponibilidade para continuar ao serviço da Igreja do Algarve. D. Manuel Quintas salientou aos muitos presentes –, incluindo algumas pessoas de Lagos onde também foi pároco o sacerdote homenageado –, a importância da estima pelos sacerdotes. “É muito importante conservarmos bem os párocos que temos. Não há outros. É muito importante manifestarmos o apreço e gratidão para com os nossos sacerdotes, pois é um testemunho para os mais novos. Ao verem esse apreço e gratidão é que eles se sentem vocacionados, apoiados e estimulados para este serviço na Igreja”, destacou o Prelado. Mais fotos na Galeria de Imagens