Na conferência, sob o tema “A Santificação em Casal”, apresentada pelo casal Marieta e Carlos Seixas da Fonseca, responsáveis pela Pastoral Familiar da paróquia do Calhariz de Benfica (Lisboa) e fundadores da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, apelou-se ao permanente aperfeiçoamento humano e de personalidade entre cônjuges, procurando controlar os defeitos e melhorando as qualidades. “Temos de crescer no caminho da santidade”, apelou Marieta Fonseca, lembrando que a formação do casal cristão, iniciada no Matrimónio, continua no seu dia-a-dia. Mais adiante, recordaria como exemplo a propósito da santidade conjugal, a beatificação do primeiro casal, Luís e Maria Beltrame Quattrocchi, realizada em Outubro de 2001 pelo Papa João Paulo II. Tendo presente a importância do exemplo, deixaram também o apelo ao testemunho. “Nós, cristãos, cremos no amor de Deus. Temos de dar testemunho desta nossa convicção na sociedade onde vivemos e marcar a diferença pela positiva. É preciso não nos fecharmos, mas mostrarmos que há outra forma diferente de viver e muito mais feliz”, exortou Marieta Fonseca, defendendo que é preciso “conhecer, viver e conseguir entusiasmar a divulgação da doutrina da Igreja sobre a realidade familiar”. Evidenciando a necessidade de “redescobrir o sentido da palavra amor”, o casal considerou que “o modo de exaltar o corpo a que assistimos hoje é enganador”. “O eros, degradado a puro sexo, torna-se mercadoria. É o próprio homem e a própria mulher que se tornam mercadoria”, lamentaram, advertindo que o corpo humano “tem um carácter teológico”. “Só quando a sexualidade se integra na pessoa é que ela consegue dar um sentido a si mesma”, salientaram, considerando que “a maior expressão da liberdade não é a busca do prazer pelo prazer sem existir um compromisso integral”. “A verdadeira expressão da liberdade é a capacidade de cada um seguir a sua doação definitiva, na qual a liberdade, doando-se, se encontra plenamente a si mesma”, complementaram. Mais adiante elucidariam acerca da necessidade de “descobrir a verdade do amor como dom em si mesmo e como gerador de comunhão fecundo no acolhimento de um ou outro”. Classificando a família como “comunidade de amor”, em que o casal é o “sujeito do sacramento do Matrimónio”, referiram-se à importância da vivência espiritual na vida do mesmo, tendo presente a “aliança com Cristo”. “O tempo forte deste culto do casal é a oração conjugal. Quando à noite, aquele homem e aquela mulher rezam é a oração do seu Filho muito amado que o Pai ouve”, referiram, sublinhando a oração como “meio privilegiado para desenvolver a espiritualidade conjugal”. Salientando a vivência desta espiritualidade, frisaram que cada cônjuge deve considerar o outro como “dom providencial de Deus”, “alguém que deve ser honrado e acarinhado”. “Somos chamados a confiar e a tornarmo-nos presença de Cristo um para o outro. Cada um deve perceber que, se não pode mudar o outro, deve aceitá-lo como ele é. E pode, por amor ao outro, fazer muito para se ir melhorando a si próprio, a fim de ser para o outro um dom melhor”, justificaram, considerando que este “espírito de doação” “gera novas vidas, tanto a nível biológico como espiritual”. “É preciso desenvolver capacidade de escutar e compreender o outro, procurando colocar-nos no seu lugar e aprender a apreciar as diferenças”, acrescentaram. A propósito da instituição do Matrimónio lembraram que “o sim pessoal não pode deixar de ser um sim publicamente assumido e responsável, com o qual os cônjuges assumem a responsabilidade pública da fidelidade”. “O Matrimónio como instituição é exigência intrínseca do pacto de amor conjugal e profundidade da pessoa humana”, observaram, advertindo que “quando se perde a consciência do que se é, dificilmente se saberá o que fazer”. “Concluir, a partir daquilo que tem mudado, que se pode relativizar tudo o que é família, é algo que só pode acontecer quando existe uma profunda crise na humanidade e que esta já nem sabe quem é”, complementaram, considerando que “sem perceber o que é o amor, e que ele tem origem em Deus, tem pouco sentido discutir a forma de o expressar”. Também o padre Henrique Varela, assistente do Sector da Pastoral Familiar e do CPM da Diocese do Algarve, ainda na oração de início da actividade, alertava para a desestruturação da família, lembrando que “a missão educadora dos pais é maior que a Igreja pede aos casais”. “Damo-nos conta de que se a família está desestruturada por este País, no Algarve é bem pior. Mais de metade dos filhos nascidos nos últimos anos no Algarve são de casais que vivem em união de facto. Para além disso, há um grande número pessoas que vive em união civil e os casais, casados na Igreja, que levam a sério o seu casamento, são muito poucos”, lamentava o sacerdote, apelando aos cristãos conscientes para que sejam “fermento que levede a massa”. Na continuidade da tarde de trabalho, os casais, divididos por grupos, reflectiram ainda sobre o compromisso conjugal com Cristo e as suas consequências práticas, o Matrimónio como escola de amor, o estilo de vida segundo os valores do Evangelho e a consciência da responsabilidade dos sacramentos Baptismo, Confirmação e Matrimónio. O encontro terminou com a celebração eucarística pelas 18 horas.