Debaixo de muito calor e acompanhado por um pelotão de cerca de 70 ciclistas do concelho de Tavira que fizeram também o percurso desde o limite da freguesia de Santa Maria, o veículo da paróquia de Cachopo que transportava o andor com a imagem mariana chegou para a celebração da Eucaristia. Descido do jipe branco da Associação de Jovens do Nordeste Algarvio – Inter-Vivos, o andor foi carregado em ombros pelos ciclistas pelo recinto de festas até ao palco transformado em altar para a celebração. O padre Dinis Faísca, pároco de Tavira, começou por recordar a presença da imagem peregrina naquele lugar no dia 28 de Janeiro de 1955. Ao numeroso grupo presente lembrou que “na imagem de Fátima está o apelo de Maria”. “Com Ela somos convidados a peregrinar ao encontro de Cristo. É para Ele que a Mãe aponta, instigando-nos a aprofundar os conteúdos da fé; a assumir com maior consciência, a partir dos sacramentos de iniciação cristã, o sentido de pertença à Igreja e de participação na vida da comunidade; a intensificar uma participação mais viva e fiel na Eucaristia dominical, bem como à adoração eucarística nas nossas comunidades; a celebrar o sacramento da Reconciliação como meio privilegiado de conversão pessoal; a superar a separação entre a fé que se professa e se celebra e a nossa vida”, concretizou. Na homilia, recordando a forte devoção a Nossa Senhora arraigada em Tavira com a existência de cerca de 38 invocações marianas em plena cidade, o prior evidenciou a personalidade de Maria como “uma mulher humilde, do silêncio”. O padre Dinis Faísca lembrou que é Nossa Senhora que “prepara o caminho”, como aconteceu nas bodas de Cana. “«Fazei tudo o que Ele vos disser». É exactamente isso que Ela continua a sussurrar-nos ao ouvido”, explicou o sacerdote, salientando que “Maria esteve sempre presente, de forma silenciosa, nos momentos-chave da vida de Jesus Cristo”. “Mais do que receber bem a imagem peregrina, saibamos receber Maria”, apelou o pároco de Tavira, clarificando o sentido da verdadeira devoção mariana. “Esta imagem, que não é sagrada, aponta-nos para algo que é sagrado: a Nossa Mãe do Céu. Isso sim é sagrado e importante”, justificou, acrescentando que “ainda que a imagem desapareça, aquilo que ela representa perdura para sempre”. “O amor da Nossa Mãe por cada um de nós, a intercessão da Nossa Mãe junto de Jesus Cristo por cada um de nós permanece para sempre. E é isso que a imagem nos deve recordar e só isso, pois nem sequer é a presença eficaz de tudo isso. É uma recordação”, frisou. A terminar desejou que os tavirenses saibam “caminhar com Maria ao ritmo de Jesus Cristo”. “Só Ele nos salva e só Ele nos poderá dar a paz. Só temos um salvador, mas temos uma Mãe que nos ama e nos ajuda aproximar de Jesus”, concluiu, exortando os paroquianos a que vivam os 15 dias de visita da imagem peregrina (até dia 18 de Julho) com o intuito de se recarregarem das graças recebidas no Baptismo. Após a Eucaristia, concelebrada pelo padre Flávio Martins, pároco de Cachopo e pelo padre David Sequeira, ex-pároco de Tavira, a imagem peregrina de Nossa Senhora foi transportada de charrete até à igreja de Santa Maria, num percurso acompanhado pelo Grupo Equestre de Tavira. Ali, teve lugar à noite um concerto pelo Coro do Carmo da Diocese de Beja. Mais fotos, brevemente na Galeria de Imagens