D. Basílio do Nascimento, Bispo da Diocese de Baucau, que esteve presente na cerimónia, começou por agradecer em nome da sua diocese e da Fundação São José, de que é presidente, “mas fundamentalmente, em nome dos jovens que um dia venham a beneficiar da escola à qual se destina esta contribuição da Câmara Municipal de Tavira”. Falou do seu jovem País que faz parte da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. “No meu País a Igreja tem um papel importante em vários sectores e um deles é este, o da educação. O interior é bastante abandonado e as escolas que lá existem são fundamentalmente da Igreja”, explicou o Prelado, informando que a Diocese de Baucau, através Fundação São José, tem 118 escolas, desde o nível primário ao secundário. “Tem custos enormes. Fazemos um esforço enorme para as manter, embora não tenhamos capacidade para isso, mas como os pais não aceitam que se fechem escolas, nós vamos fazendo «milagres» para as manter abertas. Isto, para que as crianças das montanhas também tenham possibilidades de acesso ao ensino”, testemunhou, agradecendo em nome das crianças o apoio da edilidade. Relembrando ainda que o local escolhido para a obra tinha inicialmente sido outro, evidenciou as dificuldades inerentes a um País que está ainda a dar os primeiros passos e explicou que, por falta de entendimento, entre os vários poderes institucionais “a verba ficou parada”. “Este ano surgiu outra oportunidade relacionada com uma escola no Sul da minha diocese, nas montanhas, que tentamos que seja um centro de ensino secundário, pois num raio de 80 kms não há qualquer escola secundária. A verba destina-se a arranjar um pavilhão – a escola já existe – mas não tem condições, por isso, achou-se por bem, aproveitar este dinheiro”. O pavilhão pertenceu a um quartel da tropa portuguesa e, para além do aspecto da preservação do património português, a sua reparação vai dar oportunidade a que se criem melhores condições por exemplo para o ensino da língua portuguesa, explicou D. Basílio do Nascimento. “É algo que vai sendo feito muito devagar, mas se compararmos com dez anos atrás, hoje em dia, a dinâmica do ensino da língua tem outra dimensão”, frisou. “Espero merecer a confiança da Câmara Municipal de Tavira. Vamos fazer a administração do dinheiro e as contas serão apresentadas logo que as obras terminem”, prometeu-se o Bispo de Baucau, deixando uma palavra de agradecimento ao padre Miguel Neto que trabalhou em Timor. “A ele se deve esta ligação da Diocese de Baucau a Tavira. Pela amizade que ele tem com o senhor presidente da Câmara Municipal de Tavira, foi graças a ele que se abriu esta «porta»”, reconheceu D. Basílio.