Segundo a opinião de algumas fontes ouvidas pela FOLHA DO DOMINGO, as obras a decorrerem em torno da antiga catedral algarvia poderão ter contribuido para o estado da sua cobertura. A situação em torno do tecto da Sé de Silves já não é nova. Já em Maio deste ano [ver edição 4638], o pároco de Silves alertou para o perigo que oferecia a cobertura interior da antiga catedral depois da queda de algumas madeiras. Na altura, o padre Carlos de Aquino chegou mesmo a fechar as portas do templo durante uma semana. Neste processo, o sacerdote aponta o dedo à DGEMN – Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, a entidade que primeiramente coordenava as intervenções na Sé de Silves. Garantindo que, quando chegou o ano passado à paróquia, corroborou aquilo para que alertava um anterior processo de 1993, o padre Carlos de Aquino refere que nada foi feito. “Mesmo agora, quando chamei este ano a atenção, foram lá os técnicos da DGEMN, mas disseram-me que a cobertura não oferecia perigo algum e que estivesse descansado, pois não havia problema”, denuncia. O pároco considera ainda que “houve durante muito tempo um desacompanhamento da própria Sé que é monumento classificado e isto é que é lamentável”. O sacerdote lamenta ainda que apesar da sua “insistência”, tenha havido “incompetência e desinteresse” da parte da DGEMN. De acordo com o padre Carlos de Aquino, “o estudo estará concluído em finais deste mês, princípios de Janeiro, e posteriormente terá de realizar-se um concurso público, o que levará não menos de 6 meses”. Só depois é que poderão ter início as obras. Entretanto, as naves laterais e central terão acesso vedado e o espaço litúrgico será reorganizado. O sacerdote explica ainda porque a igreja não pode ser completamente encerrada durante todo este tempo. “Primeiro porque não temos um espaço de culto alternativo na cidade, depois porque uma das fontes de receita para a própria comunidade cristã é a visita que temos dos estrangeiros, e depois pela própria afirmação cultural do edifício na cidade e na própria diocese”, explica. O padre Carlos de Aquino reconhece ainda que o não encerramento completo do edifício é também uma forma de exercer pressão para a celeridade da intervenção.