FOLHA DO DOMINGO – Que balanço faz do trabalho vocacional dos últimos tempos? Padre Rui Guerreiro – Tem sido muito positivo. Sobretudo o Lausperene Diocesano que está a criar sensibilidade vocacional na diocese. Algo muito bonito que tem estado a acontecer, e que é fruto do Lausperene, tem sido a experiência de oração na igreja do Pé da Cruz, em Faro, o­nde na primeira Quinta-feira de cada mês se reza pelas vocações. Que trabalho tem sido feito concretamente nas paróquias? Temos procurado sensibilizar os catequistas para a questão vocacional. Estes encontros têm ainda como objectivo alertar os catequistas para que permaneçam atentos aos sinais vocacionais das crianças e jovens e apresentar-lhes um convite para visitarem o Seminário diocesano. E nas escolas?Nas escolas, a finalidade das visitas é, não só ajudar a criar sensibilidade para as vocações, mas contribuir para que os alunos vejam os consagrados como pessoas normais. Falo-lhes das vocações na Igreja e dou o meu testemunho pessoal. Tem havido frutos desse trabalho? É um trabalho em que não vemos os frutos imediatamente, mas Deus é que sabe como é que vai trabalhando os corações de cada um. A vocação é um mistério. E que outras actividades têm feito? Encontros de sensibilização ao Pré-seminário. E o que vão ainda fazer? Para além de dar continuidade aos encontros vocacionais nas paróquias e nas escolas e da Vigília de Oração no dia 6 de Maio em Quarteira, vamos promover, também no dia 6 de Maio, um Encontro de Sensibilização ao Pré-seminário e à tarde participamos num encontro de adolesdentes da vigararia de Albufeira, na Orada. Haverá ainda no dia 11 de Maio um encontro de reflexão e oração para raparigas universitárias e pré-universitárias em Faro. A descentralização de actividades pela diocese tem sido propositada… Tem servido para sensibilizar as diversas zonas. Por exemplo: com a ordenação do diácono Joel Teixeira em Tavira surgiram naquela zona algumas perspectivas. Há rapazes e raparigas que ficaram interrogados sobre o que Deus quer deles e que agora participam em encontros de discernimento vocacional. A ordenação do diácono Joel foi uma experiência de graça naquela zona. Como tem sido o trabalho do Pré-seminário? Actualmente os Pré-seminaristas são 40, entre estudantes do 6º ao 12º ano, universitários e alguns já trabalhadores. Os rapazes até ao 8º ano visitam o Seminário de três em três meses, os do 9º ao 12º vêm cá uma vez por mês, passar um dia ou um fim-de-semana e os universitários e os trabalhadores têm um acompanhamento personalizado. Os rapazes que têm um enquadramento paroquial têm um entusiasmo e uma vontade diferente. Os mais novos não têm tantos medos como os mais velhos que já são mais inseguros. Aos mais velhos, nas vésperas de ordenações e na Semana Santa convidamo-los a passar alguns dias connosco para verem como é a vida no Seminário. Este testemunho passado de seminaristas a pré-seminaristas faz com que eles também se entusiasmem. Como reagem as famílias a esse trabalho? As famílias, regra geral, reagem bem, mas há sempre um caso ou outro em que os pais não apoiam tão bem. Que esperanças vocacionais existem em relação ao próximo ano? Há perspectivas de entrarem alguns rapazes para o Seminário Maior em Évora e também para o Seminário Menor, em Faro. Há dioceses em que a Pastoral Juvenil e a Vocacional funcionam num só serviço. Essa união seria positiva? Não tenho opinião formada sobre isso, mas penso que a Pastoral Juvenil contacta com mais jovens do que a Pastoral vocacional e desse ponto de vista talvez fosse benéfico uma união dos dois serviços diocesanos