Quinta-feira 19 de Setembro de 2019
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TEÓLOGAS: EM QUAL EUROPA?

Trata-se de uma iniciativa da «Coordenção das Teólogas Italianas» e nela participarão 150 teólogas provenientes de 20 diferentes países europeus e, o que é mais importante, de diversas tradições cristãs, que contará ainda com a participação de representantes judias e muçulmanas. Trata-se de um acontecimento absolutamente novo, que pretende contribuir para o fortalecimento da União Europeia e evidenciar o papel que a reflexão teológica pode acrescentar para o diálogo e a compatibilização entre os princípios da liberdade religiosa e da laicidade. Segundo a teóloga Marinella Perroni, presidente da Coordenação das teólogas italianas, o Concílio Vaticano II facilitou “o acesso das mulheres ao estudo e ao ensino académico da teologia e a sua plena inserção na vida eclesial”. Entretanto, passaram já quarenta anos sobre a entrada das primeiras mulheres, em 1965, como estudantes nas Faculdades de Teologia, particularmente das Universidades Pontifícias, mas também noutras. Para esta teóloga, professora de Novo Testamento no Instituto de Santo Anselmo e doutorada em Teologia com uma tese sobre a “Carta a Diagoneto”, foram as mulheres que garantiram a transmisão da fé dentro da vida familiar: “Por séculos, as mulheres transmitiram a fé na instituição familiar e já estão preparadas a fazê-lo também dentro de outras instituições civis e religiosas”. A Coordenação das Teológas Italianas reúne teólogas de diferentes tradições cristãs, que sejam diplomadas em ciências teológicas e docentes em Faculdades ou Institutos de Teologia. Como é natural esta organização promove e valoriza os chamados «estudos de género» (estudos femininos) no âmbito teológico, bíblico, patrístico, histórico, numa perspectiva ecumémica e favorece a visibilidade das teólogas no panorama eclesial e cultural, prestando apoio às mulheres que desejam dedicar-se ao estudo, investigação e ensino da teologia. Bem precisamos da participação activa e qualificada das mulheres na vida eclesial. Ainda recentemente, foi com tristeza que nas “Semanas Sociais de Braga”, no meio de tantas e tão numerosas comunicações, apenas uma única mulher subiu ao palco e teve direito a proferir uma comunicação. Foi a Dra. Manuela Silva, Presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz. Por sinal, foi uma das intervenções mais aplaudidas e apoiadas. Ela foi naquele fórum, verdadeiramente, a voz dos que não estavam lá e a voz dos que estando lá, não se identificavam minimamente, como foi o meu caso e de tantos outros, com os pronunciamentos dos «sábios» da escola de Coimbra, que quase nada mais fizeram, senão renderem-se ao neoliberalismo triunfante, elogiarem-se e felicitarem-se mutuamente e fazerem memória dos seus ilustres antepassados. Ainda a propósito: faz-nos falta o nosso CEFLA, para formar agentes de pastoral qualificados, para formar os homens e as mulheres do Algarve, que precisam dos cursos do CEFLA para aumentarem a sua cultura em ciências religiosas e para poderem ficar mais habilitados a servirem a Igreja, a sociedade e a cultura. Já basta de interregno. Vamos todos trabalhar para que em Outubro próximo o nosso CEFLA reabra as suas portas!

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