Quinta-feira 22 de Agosto de 2019
Inicio / Noticias / «Todo o caminho que se fizer na distribuição equitativa e justa dos bens da terra conduz-nos à autêntica paz», afirmou o Bispo do Algarve no Dia Mundial da Paz

«Todo o caminho que se fizer na distribuição equitativa e justa dos bens da terra conduz-nos à autêntica paz», afirmou o Bispo do Algarve no Dia Mundial da Paz

Foi precisamente na igreja de Nossa Senhora da Piedade (Mãe Soberana), em Loulé, que D. Manuel Neto Quintas interpelou a assembleia presente sobre a necessidade de construção da paz. A sua homilia ficaria marcada não só pelo apelo à vivência da mensagem do Papa João Paulo II para este dia, mas também pelo convite dirigido aos cristãos algarvios para a partilha com os «irmãos pertencentes aos países vitimados» pelo terramoto e marmoto do sudeste asiático. No dia em que os cristãos eram «convidados a meditar e rezar pelo dom da paz», a intervenção do Bispo diocesano em torno da temática da mensagem do Sumo Pontífice para a ocasião foi a linha orientadora de toda a reflexão de D. Manuel Quintas. Evocando a passagem de São Paulo aos Romanos que deu título à mensagem de João Paulo II para o 1º dia de 2005 – “Não te deixes vencer pelo mal, vence antes o mal com o bem” – o Bispo do Algarve lembrou que «se os homens, diante das situações em que se vêem confrontado com o mal, respondessem não com o mal, mas com o bem, seria o princípio do fim de todas as guerras». «Sabemos que o mal gera sempre o mal, a violência gera sempre a violência, o ódio provoca o ódio e só o perdão supõe o amor e quebra esta cadeia, este ciclo vicioso, de fazer mal pelo próprio mal», referiu D. Manuel Quintas, acrecentando que «só o amor que gera o amor, o perdão que desperta no coração do homem o perdão», é capaz de por fim às «guerras preventivas, às bombas inteligentes ou cirurgicas». «Nós que temos fé, e que seguimos o exemplo de Jesus que vem provar-nos que só com o dom da vida, com o amor, se vence o mal, não podemos usar das mesmas que aqueles que não têm fé e dos que pensam que é através da violência, do terror e das guerras preventivas que se vence o mal, afirmou o Bispo diocesano. Lembrando as palavras do Papa, o Prelado sublinhou que «a paz é um bem a ser construido com o bem». «Sou chamado, em cada dia deste ano, a dar o meu contributo, pois sabemos que a paz, apesar de ser dom de Deus, exige também a nossa força e o nosso contributo não retribuindo o mal com o mal, mas vencendo o mal com o bem», salientou D. Manuel Quintas que recordou a «filiação divina» de toda a humanidade. «Jesus veio para fazer de nós uma só família, todos filhos do mesmo Pai. Foi através d’Ele que descobrimos a nossa filiação divina, por isso, o bem para mim tem de ser o bem do outro, o bem comum», frisou. E referindo-se à causa de muitas das situações de guerra e conflito defendeu que «todo o caminho e progresso que se fizer na distribuição equitativa e justa dos bens da terra conduz-nos à autêntica paz», pois «sabemos que muitas situações de guerra e conflito se devem ao facto de os bens da terra não serem justamente e equitativamente distribuidos e haver tanta gente, cada vez mais pobre, que não tem o mínimo necessário para viver, o que desperta no seu coração sentimentos de injustiça, de mau estar, de querer reivindicar aquilo a que têm direito», complementou. Dirigindo-se aos fiéis presentes, D. Manuel Neto Quintas interpelou-os no sentido de colaboração na construção da paz. «Podemos ser pessoas de fé, que vivem de maneira inabalável a esperança, e que acreditam que, com a força de Deus que Cristo nos veio demonstrar, é possível dar passos decisivos no caminho da paz», apelou o Bispo do Algarve. Recordando a intercessão de Nossa Senhora, D. Manuel Quintas sublinhou que celebrar a Solenidade da Mãe de Deus é também colocar sob a protecção de Maria toda a humanidade, «para que vele por nós como Mãe Soberana que sabe o que precisamos para percorrer os caminhos de Jesus, os caminhos da paz, da reconciliação».

Verifique também

Bispo do Algarve destacou ação das Misericórdias para “curar as chagas humanas e sociais”

O bispo do Algarve considerou ontem que “as Misericórdias se situam entre as instituições que, …