PAULO DUARTE 27 anos Natural de Portimão Entrou a 26 de Setembro de 2003 na Companhia de Jesus – Braga Era comissário de bordo Com efeito o dia 26 de Setembro de 2003 permanece na memória de Paulo Duarte (à esquerda na foto) como o dia em que deixou tudo e iniciou um “processo de encontro com o esvaziamento” de si mesmo. Filho único, comissário de bordo efectivo na empresa, voava imenso pela Europa fora, “ganhava bem” para a sua idade, tinha uma “boa vida social”, estava a terminar a licenciatura em Ergonomia. Aos olhos do mundo estava realizado, mas na sua interioridade necessitava de mais. “Estava preocupado unicamente com o meu bem-estar”, confessa. “Podemos ter este mundo e o outro, mas se não for para partilhar de nada nos serve”, salienta, acrescentando acreditar, cada vez mais, que “não é o ter que nos faz alguém, mas sim o ser”. A frustração não foi o que o levou a dar o passo. “Se eu fosse frustrado, ou estivesse farto da vida, seria uma contradição ter um desejo imenso de mostrar que a Vida é um dom que deve ser anunciado e revelado com todas as nossas forças. Se a decisão de ser consagrado ou consagrada começa com uma frustração, a vocação pode estar morta nesse caminho. As fugas, normalmente, não dão grandes resultados”, constata. Passou por um discernimento onde foi deitando abaixo, tal como hoje ainda acontece, muitas “falsas imagens de Deus e do próprio Cristo”, chegando cada vez mais à realidade do Deus Encarnado. O contacto e a identificação com a Companhia de Jesus aconteceu enquanto estudante, através do Centro Universitário Padre António Vieira, em Lisboa. Hoje sente-se animado pela sua vocação. “Não é nem melhor, nem pior que outra, é apenas diferente”, afirma. “Sinto que nós, Igreja, temos de começar a mostrar a beleza da vocação Cristã, que nada tem a ver com conservadorismo, nem com o ser retrógrado. Nos tempos que correm entende que “é difícil escolher e assumir Compromissos”. “A quantidade de informações, imagens, anúncios que nos rodeiam, impede de ver um lado profundo e bonito da humanidade, a descoberta da vocação própria de cada um”, sublinha, acrescentando que “temos de nos aproximar da realidade humana”. Paulo Duarte neste momento está a entrar pelo mundo da dança. É bailarino e destaca o “quanto tem marcado as pessoas esta relação da dança com a espiritualidade”. “A meu ver temos de abrir novos caminhos e mostrar que Deus é muito mais do que possamos imaginar”, diz. Considerando que ser consagrada ou consagrado “é um desafio para os dias de hoje” sublinha que Jesus “não chama os capacitados”, antes “capacita aqueles que chama”. Actualmente está em Braga, na comunidade Pedro Arrupe, a completar a fase de noviciado (2 anos) e frequenta o 2º ano da licenciatura em Filosofia. Para ser sacerdote jesuíta falta-lhe, pelo menos, ainda a fase da missão (2 anos), mais a licenciatura em Teologia. CRISTINA SILVA 28 anos Natural de Lagoa Entrou em Outubro de 2005 nas Carmelitas Missionárias – Madrid Era professora de EMRC Cristina Silva (ao meio na foto) ganhou a réstia de coragem que provavelmente lhe faltava e resolve assumir a direcção do caminho vocacional que o seu coração lhe indica. Em Outubro de 2005 inicia uma experiência de vida junto da comunidade das Carmelitas Descalças em Madrid (Espanha) com o chamado período de postulantado ou seja, a primeira fase de um percurso de discernimento vocacional. A jovem, licenciada em Matemática, professora de EMRC – Educação Moral e Religiosa Católica em Lagoa e Estômbar, garante que esta foi “uma descoberta amadurecida”, mas que “teimava em ser assumida”. Aos 14 anos de idade foi quando pensou pela primeira vez no assunto. Foi o primeiro sinal. “Nessa altura da minha vida questionei-me bastante, mas ao mesmo tempo tinha a noção de que era muito nova”, afirma. “Por outro lado também achava que, como leiga, também poderia fazer um trabalho importante na Igreja”, acrescenta, recordando a inquietação sentida. Apesar de ser filha única Cristina garante que a família “acolheu bem” a sua vontade. Para Cristina, que gostaria de trabalhar sobretudo com jovens ou com crianças, o que mais a interpela na sociedade em que vivemos e no mundo actual é “a sede que as pessoas têm de Deus”. A escolha da Congregação das Carmelitas Missionárias teve a ver com o facto de ter convivido de perto, durante anos, com aquelas religiosas, quando estudante em Faro. Ao olhar para trás, Cristina Silva não hesita em apontar quatro vivências que a marcaram profundamente e que estão intimamente relacionadas com esta sua tomada de decisão. “O ano vocacional, em 1994, que a diocese do Algarve, conjuntamente com as restantes duas dioceses do Sul (Évora e Beja), organizaram”, “as Jornadas Mundiais da Juventude, sobretudo a de Roma”; o tempo, ainda estudante, em que participou na extinta AJUC – Associação de Jovens Universitários Cristãos e já com o curso terminado, a experiência de vida em comunidade que fez na diocese com mais três pessoas da antiga associação, durante um mês. Actualmente está a leccionar matemática, no Cartaxo (Ribatejo) acumulando com o postulantado (fase de 2 anos). Se se confirmar a sua vocação, Cristina Silva iniciará ao final desta primeira etapa, a fase do noviciado (2 anos)e só depois é que assumirá algum compromisso com a Congregação. ISABEL CLEMENTE 22 anos Natural de VRSAntónio Entrou a 7 de Outubro de 2006 na Ordem de Santa Clara – Fátima Era estudante de Fisioterapia Isabel Clemente (à direita na foto), filha única, estava a terminar o curso de Fisioterapia no Instituto Jean Piaget, em Silves, quando o anseio, já antigo, de fazer uma experiência religiosa falou mais alto. Cedo mostrou vontade em fazer uma experiência religiosa e a própria mãe, Lurdes Clemente, confirma que “desde pequena gostava muito de participar na Igreja”. Pertenceu à Ordem Secular dos Carmelitas Descalços, em Tavira, mas foi em Faro, que entrou na JUFRA – Juventude Franciscana. Fez algumas experiências de poucos dias em comunidades religiosas franciscanas. A irmã Fernanda Maria do Rosário, superiora da comunidade da Ordem de Santa Clara (clarissas) em Fátima, onde Isabel Clemente se encontra desde o dia 7 de Outubro passado, reconhece que a jovem algarvia é “apaixonada pela espiritualidade franciscana”. “Gostamos muito dela. É uma rapariga muito dócil”, acrescenta a madre. Por sua vez a mãe da jovem testemunha o seu gosto pela experiência que está a realizar. “A Isabel gosta muito de lá estar. Para além das várias tarefas e trabalhos que desempenha, gosta muito de permanecer em oração diante da custódia do Santíssimo Sacramento”, complementa. Lurdes Clemente refere ainda que a filha pensa terminar as duas disciplinas que lhe faltam para completar a formação em Fisioterapia. Actualmente está a completar a fase inicial de postulantado (1 ano) e depois passará ao noviciado. Para além dos três já referenciados, o grupo dos jovens vocacionados à vida consagrada no Algarve é ainda constituído pelos actuais seminaristas da diocese, a estudar no Seminário de São José, em Faro, e no Seminário Maior de Évora. ALUNOS DO SEMINÁRIO DE FARO 9.º ano Tiago Santos – Algoz 10.º ano Manuel Cardoso – VRSAntónio 11.º ano Valter Lamy – S. Pedro/Almancil 12.º ano Nelson Rodrigues – Conceição de Faro ALUNOS DO SEMINÁRIO MAIOR DE ÉVORA 1.º ano Nuno Coelho – Lagoa 2.º ano Miguel Falcão – Tavira Vasco Figueirinha – Ferreiras 3.º ano Bruno Alexandre – Olhão 6.º ano Flávio Martins – Monte Gordo (Estágio na paróquia de N. S. Conceição – Portimão) Pedro Manuel – Monchique (Estágio na Paróquia de S. Pedro – Faro)