Segunda-feira 14 de Outubro de 2019
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UM ARCEBISPO PARA A LIGA ÁRABE

A nomeação é tão fora de comum, que só mesmo uma situação extraordinária a pode explicar. Normalmente, os Núncios Apostólicos são chamados das suas missões diplomáticas junto dos Estados e das Organizações Internacionais para irem para Roma assumir altas responsabilidades na Santa Sé e não o contrário. Só mesmo uma circunstância absolutamente excepcional, pode justificar o envio, com carácter permanente, do chefe de um Dicastério da Cúria Romana (uma espécie de ministro do Papa), como «embaixador» para uma capital estrangeira. Bento XVI, terá sentido que tinha que fazer alguma coisa, que dar um sinal muito claro do respeito e da amizade que os cristã os têm pelos irmãos muçulmanos, e não hesitou em colocar junto da Liga Árabe e no Cairo, uma das capitais mais importantes do mundo muçulmano, o Arcebispo Michael Fitzgerald, que nos últimos anos, se notabilizou no diálogo com o Islão, particularmente por ocasião do Ramadão, diálogo que agora vai poder aprofundar, como enviado do Papa, no seio da própria Comunidade Islâmica. Para este Arcebispo de nacionalidade britânica, “ as raízes do racismo, da xenofobia, da discriminação e da intolerância, encontram-se na ignorância, no preconceito e no ódio, que muitas vezes podem derivar de uma educação incompleta e inadequada, bem como do uso impróprio dos meios de comunicação”. Por isso, propôs ainda há pouco tempo, na conferência de Bruxelas da Organização para a Segurança e Cooperação da Europa, que a educação dos jovens deve evidenciar como valores fundamentais “ a unidade da raça humana, a igual dignidade de todos os seres humanos… e encorajar o interesse das novas gerações pelas diferentes tradições históricas, linguísticas e culturais”. Nessa ocasião Monsenhor Fitzgerald recordou que já a Declaração Nostra Aetate do II Concílio do Vaticano, sobre o diálogo inter-religioso declara que “não podemos, na verdade, invocar a Deus, Pai de todos, se nos recusarmos a tratar fraternalmente determinados homens.Nesta ocasião grave da história, em que se multiplicam as situações de afrontamento e choque de civilizações de consequências imprevisiveis e incalculáveis, Bento XVI tomou uma iniciativa singular, que pode contribuir para transmitir confiança, amizade e respeito ao mundo muçulmano.

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