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Uma algarvia chamada à vocação consagrada

Cristina Silva, natural e residente em Lagoa, ganha a réstia de coragem que se calhar lhe faltava até aqui e resolve assumir a direcção do caminho vocacional que o seu coração lhe indica. No próximo mês de Outubro irá então iniciar uma experiência de vida junto da comunidade das Carmelitas Missionárias em Madrid com o chamado período de postulantado ou seja, a primeira fase de um percurso de discernimento vocacional. A jovem, de 26 anos de idade, licenciada em Matemática, tem vindo, nos últimos anos a desempenhar funções como professora de EMRC – Educação Moral e Religiosa Católica em Lagoa e Estômbar e garante que esta foi “uma descoberta que amadurecida e que de certa forma já aconteceu há algum tempo”, no entanto reconhece Cristina Silva “teimava em ser assumida”. “Ultimamente, a minha decisão foi sendo progressivamente assumida e, neste momento, resolvi dar o passo”, explica. Embora esclareça que a incidência vocacional do passado ano pastoral “não foi o motor” da sua decisão, a jovem também não descarta, na coincidência, algum tipo de influência. “A decisão já estava praticamente tomada antes disso, só que acabou por amadurecer um bocadinho mais durante este último ano. Reconheço que foi um ano importante e que especialmente o poder da oração de que tantas pessoas no Algarve a rezar pelas vocações também pode-me ter ajudado”, conclui com a certeza de que “o caminho já havia sido percorrido e só não tinha sido ainda assumido por factores vários”. Mas a interpelação vocacional de Cristina Silva não é de agora. Aos 14 anos de idade foi quando pensou pela primeira vez no assunto. Foi o primeiro sinal. “Nessa altura da minha vida questionei-me bastante, mas ao mesmo tempo tinha a noção de que era muito nova”, afirma. “Por outro lado também achava que, como leiga, também poderia fazer um trabalho importante na Igreja”, acrescenta, recordando a inquietação sentida. “Há cerca de 3 anos atrás comecei a consciencializar-me que teria de encarar a questão de frente e resolver, de uma vez por todas, este assunto. Tinha de ser sincera comigo mesma”, refere. Apesar de ser filha única Cristina garante que a família “acolheu bem” a sua vontade, embora reconheça o que pensam: “se calhar não percebem muito bem, mas respeitam e acabam por aceitar”. Sobre os amigos diz que “não mostraram grande surpresa” e “que apoiaram bastante”. Para Cristina, que gostaria de trabalhar sobretudo com jovens ou com crianças, o que mais a interpela na sociedade em que vivemos e no mundo actual é “a sede que as pessoas têm de Deus”. A jovem afirma ainda que gostaria de um dia poder vir a ter a oportunidade de trabalhar na diocese que a viu nascer. A escolha da Congregação das Carmelitas Missionárias teve a ver com o facto de ter convivído de perto, durante 9 anos, com aquelas religiosas. “Quando estive a estudar na Universidade, em Faro, durante quatro anos, morei na residência universitária que as irmãs têm naquela cidade, conheci-as mais de perto e mantivemos contacto mesmo depois de eu terminar o curso”, esclarece, complementando: “do que conheço da vida das Carmelitas Missionários penso identificar-me muito com o seu carisma e com a maneira de concretizarem a sua vocação”. Ao olhar para trás, Cristina Silva não hesita em apontar quatro vivências que a marcaram profundamente e que estão intimamente relacionadas com esta sua tomada de decisão. “O ano vocacional, em 1994, que a diocese do Algarve, conjuntamente com as restantes duas dioceses, membros da Província Eclesiástica do Sul (Évora e Beja), organizaram”, responsável pela sua primeira interpelação; “as Jornadas Mundiais da Juventude, sobretudo a de Roma”, que lhe “deu um abanão muito grande”; o tempo, quando estudante, em que participou na extinta AJUC – Associação de Jovens Universitários Cristãos e já com o curso terminado, a experiência de vida em comunidade que fez na diocese com mais três pessoas da antiga associação, durante um mês. Depois do postulantado, e se se confirmar a sua vocação, Cristina iniciará, por dois anos, a fase do noviciado e só depois é que assumirá algum compromisso com a Congregação. A jovem algarvia parte no final deste mês para Espanha, uma vez que tudo indica, irá começar o postulantado no dia 1 de Outubro, dia de Santa Teresinha.

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