Sexta-feira 23 de Agosto de 2019
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VAMOS TODOS À TURQUIA

Todos os anos, o Patriarcado Ortodoxo de Constantinopla envia uma delegação a Roma por ocasião da solenidade de São Pedro, em 29 de Junho e a Santa Sé retribui com idêntica delegação a Constantinopla por motivo da festa de Santo André, em 30 de Novembro. Como sabemos Pedro e André eram irmãos, irmãos de sangue e irmãos na fé e no seguimento de Jesus, que eles reconheceram como O Cristo. Também o Papa Bento XVI, Bispo de Roma e Bartolomeu I, Patriarca Ecuménico de Constantinopola, são irmãos, irmãos na fé, irmãos no episcopado e, embora não sejam como Pedro e André irmãos de sangue, eles são especialmente irmãos no espicopado, pois ambos são sucessores de Pedro e André nas respectivas cátedras episcopais, que por sinal são as mais importantes e significativas para católicos e ortodoxos. O Patriarcado de Constantinopla (na actual Istambul), além de ser um dos cinco históricos Patriarcados mais importantes da Una, Santa, Católica e Apostólica Igreja, a par de Roma, Alexandria, Antioquia e Jerusalém, depois da separação de 1054 entre o Ocidente e o Oriente, assumiu o papel de “primus inter pares”, isto é assumiu o “primeiro lugar” entre os Patriarcados do Oriente. Tal proeminência é atestada desde o século VII e foi recentemente, na Conferência Pan-Ortodoxa de 1961, confirmada por unanimidade, como máximo representante espiritual da Ortodoxia. Não se podendo estabelecer um paralelo “jurídico” entre Roma e Constantinopla, pois os Patriarcados Ortodoxos gozam de grande autonomia, pode contudo reconhecer-se que entre Roma e Contantinopla existe uma certa paridade de proeminência espiritual sobre católicos e ortodoxos e isso é seguramente o mais importante. O Patriarca Ecuménico, título que lhe foi conferido justamente para significar a sua função de primazia no seio da ortodoxia, exerce ainda assim uma função de coordenação e mediação entre os restantes Patriarcas. Ele é o juíz plenipotenciário nas eventuais disputas entre os outros Patriarcados, competindo-lhe convocar Sínodos Pan-Ortodoxos, fazer a ligação entre todos os Patriarcas e Metropolitas e vigiar pela sua actuação. Ficou célebre o abraço que Paulo VI e o Patriarca Atenágoras I deram em Jerusalém em 1964. Agora, Bento XVI vai pessoalmente a Constantinopla, retribuir visitas que Bartolomeu I já efectuou a Roma. Será um importante encontro de irmãos, um encontro entre os máximos representantes espirituais da catolicidade e da ortodoxia, um encontro dos ramos ocidental e oriental da única, Santa Católica e Apostólica Igreja de Cristo. Um novo encontro entre Pedro e André, do Pedro e do André dos nossos dias. Infelizmente, face aos tempos conturbados que se vivem no mundo, não podemos ver o Santo Padre visitar a Turquia, uma País de esmagadora maioria muçulmana, sem algum receio sobre a sua segurança pessoal. Um País o­nde campeia o fundamentalismo e o fanatismo, que ainda recentemente fez mártires como o Padre Andreia Santoro. Ainda para mais, pouco tempo depois do mal entendido discurso de Rastisbona. Por tudo isto, por tudo aquilo que a visita significa, de encontro entre católicos e ortodoxos, de encontro alargado entre cristãos e muçulmanos, vamos estar durante os dias desta peregrinação de Bento XVI, muito unidos ao Santo Padre, em oração, em pensamento, em sen timentos, rezando pela unidade da Igreja, para que se superem difinitivamente as sequelas da divisão de 1054 entre católicos e ortodoxos e para que cristãos e muçulmanos se sintam e se amem como irmãos e crentes no mesmo e Único Deus. Por estas causas, vamos todos à Turquia, com Bento XVI, representados por ele, mas muito especialmente a ele unidos em oração, pedindo a Deus que ele regresse a Roma são e salvo.

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