Para além dos testemunhos de um sacerdote, uma religiosa, ou de uma família, foram particularmente significativos os relatos dos dois jovens candidatos aos ministérios. Pedro Manuel salientou que, ao longo destes 10 anos foram muitas as caras que se cruzaram com ele nos bancos do Seminário. "Não sei porque é que não chegaram a padres. Também ainda não sei se lá vou chegar. Acredito que é o que mais quero e que é o que Deus quer para mim, mas quando contemplo a história de tantos que passaram pelo Seminário, não consigo compreender porque é que sairam eles e não saí eu", confessou, garantindo que ter tido "a coragem de pedir um passo mais à Igreja" para iniciar a sua consagração. "Essa foi uma decisão a um apelo que senti da Igreja", referiu. Flávio Martins, explicou que "era árbitro de futebol e tinha uma carreira promissora na arbitragem". O jovem testemunhou que não é fácil a decisão. "Para seguir a Deus temos de desprender o coração de muita coisa e eu desprendi. Se não fosse por obra do Senhor e pelo grande amor que tem para comigo, eu hoje não estava aqui. Olhando para trás, nos momentos de ‘grande luta’, sinto que o Senhor pegou em mim e levou-me aos ombros", referiu, considerando que depois da instituição de leitor, Deus chamou-o a dar um segundo passo. Por fim deixou um apelo aos muitos jovens presentes: "não tenhais medo de abrir o vosso coração ao Senhor e de escutar a sua voz, porque Ele é pastor e não mercenário". O padre Manuel de Oliveira, pároco de São Pedro, que presidiu à celebração nocturna, realçou que "tudo tem a ver com Deus quando nos deixamos conduzir pelo seu espírito". Comunidade do Patacão peregrinou a pé até à igreja matriz A comunidade do Patacão, da paróquia de São Pedro de Faro, associou-se à Vigília de Oração que teve lugar no sábado à noite na igreja paroquial, com uma caminhada a pé. Cerca de 60 pessoas, entre as quais muitas crianças dos vários anos da catequese e seus familiares, percorreram os 7 quilómetros e meio, que uniram o Carmelo de Nossa Senhora Rainha do Mundo, no Patacão, até ao largo de São Pedro, em Faro. Entre os participantes contaram-se também catequistas e auxiliares, elementos do grupo sócio-caritativo, bem como outras pessoas que foram sensibilizadas para a participação. Esta peregrinação que foi precedida pela realização de uma catequese vocacional realizada para crianças do 4º ao 11º ano promovida pelo Flávio Martins, um dos instituídos, teve início com um momento de ambientação com a presença das irmãs de Carmelitas Descalças que ficaram depois unidas em oração. Carlos Pinto, membro daquela comunidade rural explicou à FOLHA DO DOMINGO que o objectivo da iniciativa foi, associando-se à Vigília de Oração, proporcionar aos participantes “a descoberta da sua vocação de baptizados e de cristãos”, procurando “despertar cada um dos rapazes e raparigas para que estejam despertos para o chamamento de Deus”. Ao longo do percurso, muitos foram os momentos de celebração com cânticos, mas também de interiorização com a leitura da Sagrada Escritura, seguida de reflexão. Patrícia Marques 19 anos “Esta é a nossa forma de demonstrar o nosso apoio e de dizer-lhes que estamos com eles”. Conceição Guerreiro 47 anos “Se não houvesse esta iniciativa eles iriam ser instituídos da mesma maneira, mas certamente não se sentiriam tão apoiados. Poderão ficar felizes por verem que têm pessoas ao lado deles. Penso que devíamos repetir mais vezes estas iniciativas”.