Os participantes que encheram completamente os bancos da Catedral, entre os quais muito jovens, mas também muitos adultos e idosos, foram confrontados com o testemunho de vida de Gianna Beretta Molla, a ‘mãe coragem’ que preferiu morrer a abortar a sua quarta filha. A projecção da história da Santa italiana, canonizada por João Paulo II a 16 de Maio de 2004, introduziu à noite de oração presidida pelo padre Carlos César Chantre. O sacerdote, na sua homília, começou por lembrar, a propósito das leituras proferidas, que o homem é parte de Deus. "Antes mesmo de teres nascido Eu te consagrei. És inviolável. Fazes parte de mim. E quem me viola sofrerá as consequências", sublinhou o padre César Chantre, alertando para o facto de a Vida humana ser inviolável. O presidente da celebração constatou a forma como o homem encara a Vida. "Nós não temos tempo para o dono do tempo e levamos a vida como se ela dependesse da nossa vontade. E não depende. E ai de nós se dependesse. Seria uma selvajaria", complementou. "Muito se tem falado nos últimos tempos sobre a Vida", constatou o sacerdote, sublinhando que "não somos donos de nada". "Somos administradores de tudo o que Deus pôs à nossa disposição e a Vida é o dom mais sublime que Ele pôs à nossa disposição", acrescentou. Aludindo à participação da Igreja no debate proporcionado a porpósito do referendo, o padre César Chantre frisou que "a Igreja está para lá das discussões estéreis de partes do social", pois "a Igreja depende apenas do seu Criador". "Durante estas semanas fiquei admiravelmente surpreendido com a mobilização dos cristãos. Eu ouvi jovens a dar-nos lições. Afinal quando se trata de causa, nós conseguimo-nos mobilizar. Então isso não é já uma vitória?", interpelou. Ainda sobre o resultado do referendo, na altura ainda impossível de adivinhar, afirmou: "se depois de domingo conseguirmos ser mais Igreja, que extraordinário!". Caracterizando o actual estado da Europa e a dicotomia entre a sociedade europeia e a fé, o padre César Chantre deixou um alerta. "Se for preciso a Igreja regressar à clandestinidade na Europa, preparem-se", concluiu.