Natural da freguesia de São Clemente de Loulé, o sacerdote chegou também a ser pároco da Luz de Lagos e de São Marcos da Serra e vigário cooperador de São Bartolomeu de Messines. Na homenagem que todos foram unânimes em considerar tardia, cuja sessão pública teve início no Centro Cultural de Vila do Bispo, destacou-se sobretudo a intervenção cívica e social e a promoção e o incentivo que deu ao crescimento intelectual do concelho, tendo sido o fundador local da Telescola e professor durante vários anos. O padre Joel Teixeira, actual pároco de Raposeira, Sagres e Vila do Bispo, recordou que sacerdote homenageado “foi um impulsionador da sociedade” local, alguém que verdadeiramente “deu a vida” por aquela terra. Artur de Jesus, que enquadrou o papel do clero nas comunidades locais da época, lembrou que a intervenção do falecido pároco na área cultural. “Foi um padre que nos deixou um legado importante a nível material porque conseguiu reunir peças litúrgicas valiosíssimas, algumas delas nem sequer feitas em Portugal. Esse gesto foi muito importante porque permitiu que esse património se salvasse”, sublinhou o historiador. Os testemunhos que se seguiram confirmaram o empenho do presbítero homenageado não só pelo património material, mas pelo património vivo que são as pessoas. A amizade, a simplicidade, a humildade, a proximidade para com os outros foram igualmente recordadas, assim como a forma inconformada como lutou e ajudou gerações contra a fatalidade de a maioria da população não poder prosseguir estudos. “Era ele que os formava, exercia essa formação gratuitamente e sempre de boa vontade”, lembrou-se. Também o padre Joel Teixeira, intervindo sobre ‘O Papel do Padre no Século XXI’, sublinhou que o padre Clemente percebeu que “não valia a pena estar dentro da Igreja e anunciar Jesus Cristo se as pessoas não tivessem a capacidade de entender aquilo que era anunciado”. Neste sentido destacou que “o padre do século XXI tem de ser alguém que está ao serviço, que tenta mostrar com a vida aquilo que é a sua fé”, no campo da educação e da cultura, “atento aos problemas da sociedade”, sendo “homem do diálogo, que sabe acolher a diferença dos outros” e “homem de oração”. Já no Salão Paroquial Padre Clemente, um edifício que já existia onde chegou a funcionar a Telescola e mais recentemente a casa paroquial, cuja lápide foi descerrada momentos antes, o padre Joel Teixeira salientou a necessidade daquela estrutura continuar ao “serviço da população” e lamentou, corroborando a opinião anteriormente manifestada por Artur de Jesus, a ausência de toponímia em memória antigo pároco de Vila do Bispo. “Custa-me que, numa terra à qual se entregou tanto, não haja memória deste homem”, afirmou. Em resposta, o presidente da Junta de Freguesia de Vila do Bispo anunciou que “o padre Clemente não está em esquecimento” será certamente associado a qualquer rua, praça ou equipamento. Já o novo presidente da Câmara Municipal, Adelino Soares, que tomou posse naquele mesmo dia, naquele que foi o seu primeiro acto público na nova condição de autarca, defendeu a valorização e a homenagem de pessoas em vida. A tarde encerrou com a actuação de um grupo de alunos da Escola de Música que funciona naquele salão paroquial, para além da catequese e de outras actividades, e com a celebração da Eucaristia de acção de graças na igreja matriz. Mais fotos na Galeria de Imagens