O Bispo do Algarve, que presidiu à Missa Estacional da Páscoa do Senhor na Catedral algarvia, em Faro, começou por constatar que “celebrar a Páscoa é deixar-se contagiar pela alegria que inundou o coração dos discípulos de Jesus” na manhã da ressurreição. “O encontro com Cristo ressuscitado, à luz da fé, acontecerá na medida em que acolhermos a intensidade com que Ele nos amou e no modo como deixarmos que a luz que brota da sua ressurreição se reflicta na nossa vida e no nosso testemunho cristão”, frisou, lembrando que “a fé e a adesão a Cristo ressuscitado têm de inspirar os critérios que determinam as opções e as atitudes quotidianas” dos cristãos. O Bispo do Algarve constatou que “a vitória de Cristo sobre a morte é a vitória sobre tudo o que desumaniza o homem”. “Viver a vida com esperança é encontrar na ressurreição de Cristo a força para superar todas as fragilidades da pessoa humana. É fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que se resolvam os pequenos problemas familiares e os grandes conflitos entre os povos; não pela força das armas, mas pela força do diálogo, apoiado no respeito mútuo para que o progresso e o bem-estar sejam para todos, de modo que acabe o flagelo da fome e do sofrimento inútil”, concretizou. Lembrando situações da actualidade que a todos “interpelam e interrogam”, como raptos de crianças e até de adultos, o Bispo diocesano referiu-se particularmente à educação das novas gerações. “Um povo, uma sociedade e uma família que não consegue educar os seus filhos está em falência progressiva”, lamentou, considerando “uma visão redutora da pessoa”, aquela que tem em vista apenas algumas das suas dimensões, conduzindo sempre a um “empobrecimento na formação das novas gerações”. “A sobrevalorização da aquisição de competências e conhecimentos, esquecendo-se da formação global indispensável à aprendizagem do saber ser, reduz o educador a mero transmissor de informação, convertendo a pedagogia em técnicas de ineficácia da comunicação”, advertiu, defendendo que “neste âmbito, ninguém de nós pode «atirar pedras» nem a professores, nem a alunos”. “O ambiente que se vive nas escolas não é outro senão o ambiente que se vive em muitas famílias e na própria sociedade”, verificou, enumerando os “problemas sociais, culturais e conflitos de gerações” que convergem para o meio escolar. Apesar do panorama pouco animador, D. Manuel Quintas apelou a que não se renuncie à educação. “Renunciar a educar é renunciar a amar, porque toda a educação é um acto de amor e começa precisamente na família e tem a ver com cada membro da sociedade e não apenas com alguns”, afirmou, defendendo o amor como a única solução para vencer os obstáculos. “Em Cristo ressuscitado encontramos a força para olharmos para o futuro com esperança. N’ Ele encontramos a força que necessitamos para sermos esse «fermento que leveda toda a massa»”, concluiu. Mais fotos na Galeria de Imagens